A notícia de que as ações de formação ministradas pelos centros de formação vão ser pagas (e bem pagas!) surpreendeu muita gente. É a crise, é a crise…dizem…
Mas as crises sempre foram um estímulo para grandes mudanças!
Tal como o mau hábito de tomar o pequeno-almoço fora de casa (que os portugueses adquiriram durante o tempo da abundância) pode ser agora banido, devido à crise, também as resistências às novas tecnologias podem, finalmente, ser rapidamente ultrapassadas, com o empurrãozinho da crise.
Até agora, falar em formação pela via virtual fazia sorrir os professores, até mesmo os mais modernos. Como se pode aprender com a mediação das TICs? Usar a moodle, por exemplo, só mesmo para acumular uma série de recursos que os alunos vão colhendo e nada mais. Que é isso de criar comunidades virtuais de aprendizagem? Não há como a interação face a face!
Pois é, mas agora que os centros vão cobrar na ordem dos 70 e 80 euros, mais o dinheiro da gasolina para as deslocações, bem, talvez esteja na hora de percebermos quão rídiculo é o nosso preconceito contra o e-learning e talvez se comece a perceber que já há estudos sobre o assunto. A pedagogia e a aprendizagem em plataformas digitais já se faz com uma base científica e está comprovado que a formação de professores também pode e deve ser feita por esta via. As mais-valias são imensas até pelo caráter assíncrono que permite a cada um gerir melhor o seu tempo e, comodamente, a partir do conforto do seu lar, interagir ativamente com os seus pares, usando uma diversidade imensa de ferramentas e acedendo a recursos que, de outro modo, dificilmente teria oportunidade de digerir.
O excelente estudo, recentemente publicado pela De Facto Editores, coordenado pelos Professores Doutores Angélica Monteiro, José António Moreira e Ana Cristina Almeida, sob o título «Educação Online, Pedagogia e aprendizagem em plataformas digitais», fornece uma série de pistas para todos aqueles que, aproveitando a conjuntura de crise, pretendam entender as potencialidades da educação online, superando aquela fase arrivista da tecnologia pela tecnologia.
Deixo-vos um desafio que Óscar Mealha (Professor do Departamento de Arte e Comunicação da Universidade de Aveiro) lança no Prefácio da obra: «aproveito este momento para também desafiar os colegas do ensino não superior a testarem muitas das abordagens deste livro. (…) para qualquer professor que tenha a genuína intenção de aumentar a eficiência da aprendizagem dos seus estudantes, com recurso a contextos de educação mediados tecnologicamente (…) Um livro em que decididamente a tecnologia só aparece para se subordinar a servir os propósitos do ser humano, como deve ser.»
Portanto, a crise é o pretexto ideal para nos modernizarmos e ultrapassarmos a fase maniqueísta relativamente às TICs: ou a usamos como panaceia, confundindo meios com fins, ou a rejeitamos de forma linear e acrítica!...
Nenhuma destas vias é aceitável neste início do século XXI!...
Da corrida obrigatória ao Quadros Interativos, passemos à descoberta das potencialidades da verdadeira aprendizagem colaborativa. Repensemos a aprendizagem em plataformas digitais.
sábado, 7 de abril de 2012
domingo, 1 de abril de 2012
Autorretrato de Professora - JL de 10-1-2012 - Odília Gontardo Freitas - Provocar Mudanças
Nasci na Madeira, no ano de 1958, quando o regime salazarista começava a tremer. O tempo e o espaço não determinam, mas moldam!
Desde muito tenra idade persegui a utopia de querer mudar o mundo, de acabar com a injustiça. Queria seguir Direito, mas cedo percebi que esse não era o meu caminho. Como tive a felicidade nascer numa família numerosa, comecei a brincar às escolinhas lá em casa, tendo os meus irmãos como alunos. Percebi que ia ser professora, mas ainda não sabia que seguiria História. Essa paixão começou a nascer no Externato de S. Bento, na Ribeira Brava, quando tive o Professor Sousa e Freitas, um verdadeiro mestre. Com ele a História parecia fácil e divertida, completamente diferente daquilo que tinha sido até então. Comecei a ver o lado útil da História e a perceber as suas potencialidades formativas. Ainda não lia Marc Bloch, mas já sentia que não se podia entender o presente, sem o relacionar com o passado. Depois, já no Liceu Jaime Moniz, convivi com excelentes pedagogos, como o saudoso Horácio Bento de Gouveia, grande escritor e crítico do regime e a recentemente falecida, Maria Aurora Carvalho Homem. Tive sorte. Aprendi com eles que a Escola deve ser um espaço de cidadania.
Quando acabei o Secundário, em 1975, cumpri o Serviço Cívico Estudantil no Arquivo Distrital do Funchal, cujo diretor era António Aragão, poeta, pintor, historiador, homem polémico, irrequieto, inconformado. O nosso convívio de cerca de um ano deixou-me marcas e consolidou-me a paixão pela História.
Licenciei-me em História pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. Naquela altura os cursos tinham dois ciclos e apostava-se forte na componente científica. Seguia-se a filosofia de ensinar a pescar, em vez de dar o peixe, o que hoje, infelizmente, está em regressão. Tive vários Professores que me marcaram, como Jorge Custódio (Introdução à História: Metodologia e Crítica), Maria do Rosário Themudo Barata (História Moderna Geral), José Manuel Sobral (História Contemporânea de Portugal) e António José Saraiva (Cultura Portuguesa).
Iniciei a minha carreira como professora, no ano de 1981. Casei e tive dois filhos. Passei por várias escolas e fixei-me na Escola Secundária de Palmela há vinte e quatro anos. Já tenho como alunos, os filhos de ex-alunos.
Nestas três décadas de docência nunca me arrependi da escolha que fiz, nem sequer nesta conjuntura difícil, em que a profissão se descredibiliza constantemente. Os alunos dão-me força para prosseguir e delicio-me a vê-los crescer. Sinto que educar é provocar mudança e, modéstia aparte, sei que quando pego numa turma do 10º ano e fico com ela os três anos do Secundário, chegamos ao fim todos diferentes e todos mais ricos. Não tenho no currículo grandes projetos, mas tento atuar como o colibri, que, com o seu minúsculo bico, nunca perde a esperança de contribuir para apagar grandes fogos! A minha pedagogia passa por acreditar que é sempre possível ajudar cada aluno a tirar de dentro de si as virtudes que nem desconfia que tem e levar cada um a dar o seu máximo. Sei que sou privilegiada por lidar praticamente só com alunos que já concluíram o ensino Básico, mas também é verdade que muitos dos que se inscrevem em Humanidades são aqueles que andam a fugir das outras áreas, ditas mais exigentes. Mesmo não sendo verdade, funciona como tal, devido à pressão social e ao discurso do senso comum, o que dificulta muito a motivação. O que mais me desgosta como professora é ouvir alguns colegas (felizmente, já poucos!) dizerem que só sabem ensinar alunos motivados. É como se um médico só se dedicasse aos sãos!
Acredito que ensinar requer arte, mas também técnica e procurei mais formação nesta matéria. Assim, frequentei o Mestrado em Supervisão Pedagógica na Universidade Aberta e descobri uma imensidão de ferramentas que me têm ajudado muito a melhorar as minhas práticas. Nesta Universidade tenho também exercido Tutoria on-line em Unidades Curriculares como Ética e Educação e Educação e Sociedade, o que me tem proporcionado uma troca de saberes e um contato salutar com professores de todas as áreas científicas e geográficas. Esta riquíssima experiência fez-me perceber que na sociedade da informação e do conhecimento, qualquer nível de ensino terá que ter também uma componente virtual, caso contrário nunca será possível desenvolver uma aprendizagem sólida e atualizada.
Reproduzir saberes feitos, prontos a servir, não prepara ninguém para a vida. É preciso que a Escola se assuma como motor de mudança e conquiste autonomia para gerir currículo, em vez de prescrever currículo, apostando no aprofundamento dos vários níveis de Cidadania. Neste sentido, tenho desenvolvido pequenos projetos de pesquisa em torno da História Local e sendo Palmela uma Cidade Educadora, o terreno torna-se ainda mais aliciante. Penso que a investigação não é apanágio de alguns e, se for realizada com honestidade, pode e deve ser praticada ao nível das escolas secundárias.
Implemento nas minhas turmas o Portefólio Criativo e Reflexivo, em que cada aluno vai recolhendo dados sobre aspetos que, devido à pressão do Programa, não podemos desenvolver no dia-a-dia; no final de cada período, organiza-se uma série de sessões destinadas a avaliar os resultados das pesquisas e das reflexões individuais. É muito gratificante ver que, a pretexto do Portefólio, os alunos começam a interessar-se por todo o género de notícias da atualidade, entrando numa dinâmica de pesquisa e partilha, interiorizando um novo conceito de História e percebendo a sua utilidade. Levo os meus alunos a colóquios universitários e eles percebem que a investigação não pára e que, como qualquer ciência, a História está sempre em construção.
No âmbito de desafios lançados pela Associação de Professores de História, envolvi os meus alunos em dois projetos que foram premiados: um sobre Damião de Góis e outro sobre o Vinte e Cinco de Abril.
Há dois anos participei no Projeto Pestalozzi, uma iniciativa do Conselho da Europa vocacionada para os Direitos Humanos. Desenvolvi um trabalho sobre os crimes praticados pela Indonésia, quando da invasão de Timor-Leste e apresentei-o em Cracóvia. Perante um conjunto de professores de História dos mais variados países pertencentes ao Conselho da Europa, mostrei que a apatia da comunidade internacional e os jogos de interesses podem incentivar genocídios e que só uma forte opinião pública internacional pode evitá-los, defendendo que a Educação Histórica pode ter um papel crucial na prevenção de Crimes Contra a Humanidade.
Colaborei, com três entradas, no Dicionário de Educadores Portugueses, dirigido pelo Professor António Nóvoa, trabalho de referência que reúne 900 biografias de homens e mulheres que se dedicaram à educação e ao ensino nos séculos XIX e XX e que permite novas leituras da história do ensino e da educação em Portugal.
Atualmente, na minha escola, sou representante do Grupo de História e coordeno o Projeto Parlamento dos Jovens, da responsabilidade da Assembleia da República e que pretende aprofundar cidadania e contribuir para uma nova visão da Política.
Também coordeno o Gabinete de Intervenção Disciplinar, criado recentemente com o objetivo de dar resposta aos crescentes problemas de indisciplina que têm surgido, à medida que a escola se democratiza.
Sou formadora acreditada pelo CCPFC, mas infelizmente tenho exercido muito pouco esta atividade. Apercebi-me que ainda estamos na fase traumática de identificar formação com avaliação e avaliação com classificação. Por outro lado, a onda tecnocrática dos famosos Quadros Interativos, ao invadir os centros de formação, limitou o espaço para outros territórios, porventura mais interessantes. Assim, vou promovendo uns Workshops de vez em quando, vocacionados para quem não anda à caça de créditos, mas simplesmente acredita que sem reflexão e partilha, não há uma real progressão.
Penso que ser professor hoje, numa sociedade cada vez mais global, exige uma postura constantemente reflexiva e só um trabalho verdadeiramente colaborativo pode ajudar a conjugar as várias dimensões que a profissão exige: ética, científica e pedagógica. O saber hoje exige muito mais do que debitar. Formar cidadãos aptos é muito mais do que preparar alunos para exames. Preparar para a vida ativa é sobretudo preparar jovens que saibam ligar e religar saberes, que saibam transferir conhecimentos e que não se deixem esmagar pela torrente informativa que carateriza o século XXI.
Desde muito tenra idade persegui a utopia de querer mudar o mundo, de acabar com a injustiça. Queria seguir Direito, mas cedo percebi que esse não era o meu caminho. Como tive a felicidade nascer numa família numerosa, comecei a brincar às escolinhas lá em casa, tendo os meus irmãos como alunos. Percebi que ia ser professora, mas ainda não sabia que seguiria História. Essa paixão começou a nascer no Externato de S. Bento, na Ribeira Brava, quando tive o Professor Sousa e Freitas, um verdadeiro mestre. Com ele a História parecia fácil e divertida, completamente diferente daquilo que tinha sido até então. Comecei a ver o lado útil da História e a perceber as suas potencialidades formativas. Ainda não lia Marc Bloch, mas já sentia que não se podia entender o presente, sem o relacionar com o passado. Depois, já no Liceu Jaime Moniz, convivi com excelentes pedagogos, como o saudoso Horácio Bento de Gouveia, grande escritor e crítico do regime e a recentemente falecida, Maria Aurora Carvalho Homem. Tive sorte. Aprendi com eles que a Escola deve ser um espaço de cidadania.
Quando acabei o Secundário, em 1975, cumpri o Serviço Cívico Estudantil no Arquivo Distrital do Funchal, cujo diretor era António Aragão, poeta, pintor, historiador, homem polémico, irrequieto, inconformado. O nosso convívio de cerca de um ano deixou-me marcas e consolidou-me a paixão pela História.
Licenciei-me em História pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. Naquela altura os cursos tinham dois ciclos e apostava-se forte na componente científica. Seguia-se a filosofia de ensinar a pescar, em vez de dar o peixe, o que hoje, infelizmente, está em regressão. Tive vários Professores que me marcaram, como Jorge Custódio (Introdução à História: Metodologia e Crítica), Maria do Rosário Themudo Barata (História Moderna Geral), José Manuel Sobral (História Contemporânea de Portugal) e António José Saraiva (Cultura Portuguesa).
Iniciei a minha carreira como professora, no ano de 1981. Casei e tive dois filhos. Passei por várias escolas e fixei-me na Escola Secundária de Palmela há vinte e quatro anos. Já tenho como alunos, os filhos de ex-alunos.
Nestas três décadas de docência nunca me arrependi da escolha que fiz, nem sequer nesta conjuntura difícil, em que a profissão se descredibiliza constantemente. Os alunos dão-me força para prosseguir e delicio-me a vê-los crescer. Sinto que educar é provocar mudança e, modéstia aparte, sei que quando pego numa turma do 10º ano e fico com ela os três anos do Secundário, chegamos ao fim todos diferentes e todos mais ricos. Não tenho no currículo grandes projetos, mas tento atuar como o colibri, que, com o seu minúsculo bico, nunca perde a esperança de contribuir para apagar grandes fogos! A minha pedagogia passa por acreditar que é sempre possível ajudar cada aluno a tirar de dentro de si as virtudes que nem desconfia que tem e levar cada um a dar o seu máximo. Sei que sou privilegiada por lidar praticamente só com alunos que já concluíram o ensino Básico, mas também é verdade que muitos dos que se inscrevem em Humanidades são aqueles que andam a fugir das outras áreas, ditas mais exigentes. Mesmo não sendo verdade, funciona como tal, devido à pressão social e ao discurso do senso comum, o que dificulta muito a motivação. O que mais me desgosta como professora é ouvir alguns colegas (felizmente, já poucos!) dizerem que só sabem ensinar alunos motivados. É como se um médico só se dedicasse aos sãos!
Acredito que ensinar requer arte, mas também técnica e procurei mais formação nesta matéria. Assim, frequentei o Mestrado em Supervisão Pedagógica na Universidade Aberta e descobri uma imensidão de ferramentas que me têm ajudado muito a melhorar as minhas práticas. Nesta Universidade tenho também exercido Tutoria on-line em Unidades Curriculares como Ética e Educação e Educação e Sociedade, o que me tem proporcionado uma troca de saberes e um contato salutar com professores de todas as áreas científicas e geográficas. Esta riquíssima experiência fez-me perceber que na sociedade da informação e do conhecimento, qualquer nível de ensino terá que ter também uma componente virtual, caso contrário nunca será possível desenvolver uma aprendizagem sólida e atualizada.
Reproduzir saberes feitos, prontos a servir, não prepara ninguém para a vida. É preciso que a Escola se assuma como motor de mudança e conquiste autonomia para gerir currículo, em vez de prescrever currículo, apostando no aprofundamento dos vários níveis de Cidadania. Neste sentido, tenho desenvolvido pequenos projetos de pesquisa em torno da História Local e sendo Palmela uma Cidade Educadora, o terreno torna-se ainda mais aliciante. Penso que a investigação não é apanágio de alguns e, se for realizada com honestidade, pode e deve ser praticada ao nível das escolas secundárias.
Implemento nas minhas turmas o Portefólio Criativo e Reflexivo, em que cada aluno vai recolhendo dados sobre aspetos que, devido à pressão do Programa, não podemos desenvolver no dia-a-dia; no final de cada período, organiza-se uma série de sessões destinadas a avaliar os resultados das pesquisas e das reflexões individuais. É muito gratificante ver que, a pretexto do Portefólio, os alunos começam a interessar-se por todo o género de notícias da atualidade, entrando numa dinâmica de pesquisa e partilha, interiorizando um novo conceito de História e percebendo a sua utilidade. Levo os meus alunos a colóquios universitários e eles percebem que a investigação não pára e que, como qualquer ciência, a História está sempre em construção.
No âmbito de desafios lançados pela Associação de Professores de História, envolvi os meus alunos em dois projetos que foram premiados: um sobre Damião de Góis e outro sobre o Vinte e Cinco de Abril.
Há dois anos participei no Projeto Pestalozzi, uma iniciativa do Conselho da Europa vocacionada para os Direitos Humanos. Desenvolvi um trabalho sobre os crimes praticados pela Indonésia, quando da invasão de Timor-Leste e apresentei-o em Cracóvia. Perante um conjunto de professores de História dos mais variados países pertencentes ao Conselho da Europa, mostrei que a apatia da comunidade internacional e os jogos de interesses podem incentivar genocídios e que só uma forte opinião pública internacional pode evitá-los, defendendo que a Educação Histórica pode ter um papel crucial na prevenção de Crimes Contra a Humanidade.
Colaborei, com três entradas, no Dicionário de Educadores Portugueses, dirigido pelo Professor António Nóvoa, trabalho de referência que reúne 900 biografias de homens e mulheres que se dedicaram à educação e ao ensino nos séculos XIX e XX e que permite novas leituras da história do ensino e da educação em Portugal.
Atualmente, na minha escola, sou representante do Grupo de História e coordeno o Projeto Parlamento dos Jovens, da responsabilidade da Assembleia da República e que pretende aprofundar cidadania e contribuir para uma nova visão da Política.
Também coordeno o Gabinete de Intervenção Disciplinar, criado recentemente com o objetivo de dar resposta aos crescentes problemas de indisciplina que têm surgido, à medida que a escola se democratiza.
Sou formadora acreditada pelo CCPFC, mas infelizmente tenho exercido muito pouco esta atividade. Apercebi-me que ainda estamos na fase traumática de identificar formação com avaliação e avaliação com classificação. Por outro lado, a onda tecnocrática dos famosos Quadros Interativos, ao invadir os centros de formação, limitou o espaço para outros territórios, porventura mais interessantes. Assim, vou promovendo uns Workshops de vez em quando, vocacionados para quem não anda à caça de créditos, mas simplesmente acredita que sem reflexão e partilha, não há uma real progressão.
Penso que ser professor hoje, numa sociedade cada vez mais global, exige uma postura constantemente reflexiva e só um trabalho verdadeiramente colaborativo pode ajudar a conjugar as várias dimensões que a profissão exige: ética, científica e pedagógica. O saber hoje exige muito mais do que debitar. Formar cidadãos aptos é muito mais do que preparar alunos para exames. Preparar para a vida ativa é sobretudo preparar jovens que saibam ligar e religar saberes, que saibam transferir conhecimentos e que não se deixem esmagar pela torrente informativa que carateriza o século XXI.
domingo, 25 de março de 2012
A ESCOLA PÚBLICA ESTÁ BEM E RECOMENDA-SE…
Quem disse que a Escola Pública anda mal?
Quem disse que os nossos jovens não se interessam por Política/Cidadania?
Pois é … mais uma vez a Escola Secundária de Palmela brilhou na Sessão Distrital do Parlamento dos Jovens!...
Realizou-se, no passado dia 13 de Fevereiro, no Auditório da Escola Escola Básica 2,3 com Secundário da Bela Vista (Setúbal), mais uma Sessão Distrital do Parlamento dos Jovens, cujo tema foi: Redes Sociais: Participação e Cidadania.
Foi gratificante ver como centenas de jovens do nosso Distrito se empolgaram e, com muita dignidade defenderam os Projetos de Recomendação das respetivas escolas, para depois, com a mesma dignidade, serem capazes de eleger as medidas que, independentemente da origem, seriam as que melhor qualidade e consenso reuniam para representarem todo o Distrito.
Neste contexto de exercício democrático, os jovens elegeram a Ana Sofia Teixeira, aluna do 11ºA da Escola Secundária de Palmela, para porta-voz dos Deputados de Setúbal na Sessão Nacional que irá decorrer nos dias 28 e 29 de Maio, na Assembleia da República. A Mónica Pereira, aluna do 12º E da nossa escola irá acompanhá-la, assim como a Patrícia Marinheiro, do 11ºA e o Daniel Anselmo, do 12ºE. Este será o nosso Repórter, concorrente ao Prémio Reportagem, pela segunda vez.
Agregado a este concurso, realiza-se também o Euroscola e, pela terceira vez consecutiva, é também a Escola Secundária de Palmela que irá representar o Distrito neste concurso, na expetativa de poder ir a Estrasburgo, no próximo ano.
Na sua apresentação, a Ana Sofia e a Patrícia defenderam a ideia de que as Redes Sociais poderão ser as Novas Caravelas do século XXI e até criaram um poema nesse sentido:
Redes Sociais
Não é dependência , é informação
Todos os dias , diariamente
A qualquer hora há uma ligação
Quem quer que seja o utilizador
É o combate à discriminação
Não interessa a religião ou a cor
Não há sequer hesitação
Cidadania e educação
Com cuidado e preocupação
Saber bem utilizar
Não gera desilusão
O ser humano no passado
Nem tinha televisão
Agora em todo o lado
Tem à internet ligação
Passam de 8 para 81
As redes sociais são as
Caravelas do século 21
Quem disse que os nossos jovens não se interessam por Política/Cidadania?
Pois é … mais uma vez a Escola Secundária de Palmela brilhou na Sessão Distrital do Parlamento dos Jovens!...
Realizou-se, no passado dia 13 de Fevereiro, no Auditório da Escola Escola Básica 2,3 com Secundário da Bela Vista (Setúbal), mais uma Sessão Distrital do Parlamento dos Jovens, cujo tema foi: Redes Sociais: Participação e Cidadania.
Foi gratificante ver como centenas de jovens do nosso Distrito se empolgaram e, com muita dignidade defenderam os Projetos de Recomendação das respetivas escolas, para depois, com a mesma dignidade, serem capazes de eleger as medidas que, independentemente da origem, seriam as que melhor qualidade e consenso reuniam para representarem todo o Distrito.
Neste contexto de exercício democrático, os jovens elegeram a Ana Sofia Teixeira, aluna do 11ºA da Escola Secundária de Palmela, para porta-voz dos Deputados de Setúbal na Sessão Nacional que irá decorrer nos dias 28 e 29 de Maio, na Assembleia da República. A Mónica Pereira, aluna do 12º E da nossa escola irá acompanhá-la, assim como a Patrícia Marinheiro, do 11ºA e o Daniel Anselmo, do 12ºE. Este será o nosso Repórter, concorrente ao Prémio Reportagem, pela segunda vez.
Agregado a este concurso, realiza-se também o Euroscola e, pela terceira vez consecutiva, é também a Escola Secundária de Palmela que irá representar o Distrito neste concurso, na expetativa de poder ir a Estrasburgo, no próximo ano.
Na sua apresentação, a Ana Sofia e a Patrícia defenderam a ideia de que as Redes Sociais poderão ser as Novas Caravelas do século XXI e até criaram um poema nesse sentido:
Redes Sociais
Não é dependência , é informação
Todos os dias , diariamente
A qualquer hora há uma ligação
Quem quer que seja o utilizador
É o combate à discriminação
Não interessa a religião ou a cor
Não há sequer hesitação
Cidadania e educação
Com cuidado e preocupação
Saber bem utilizar
Não gera desilusão
O ser humano no passado
Nem tinha televisão
Agora em todo o lado
Tem à internet ligação
Passam de 8 para 81
As redes sociais são as
Caravelas do século 21
A HISTÓRIA É IMPORTANTE
A HISTÓRIA É IMPORTANTE
Sim, a História é importante e nem vale a pena dizer porquê…
Mas então, quais as razões que estão a impedir que, em Portugal, um dos países com mais História, esta verdade seja evidente e se imponha por si?
Primeiro, as razões internas e ligadas ao modo como os nossos historiadores funcionam. Vivem ainda nas suas torres de cristal, cada qual no seu feudo e, pior, ignorando tudo o que venha do feudo vizinho. A ética do investigador ainda funciona muito mal: cita-se quem nos cita e/ou quem pertence ao escol mediático. Não se enfrenta o senso comum e preferimos dizer que somos politólogos, pois se dissermos que somos historiadores podemos afastar público. Só divulgamos iniciativas e obras de instituições e investigadores já com nome na praça. Não convidamos quem é especialista numa área, mas quem pertence ao nosso círculo. Plagiamos descaradamente aqueles que sabemos não terem meios de nos denunciar judicialmente, etc., etc….
Em segundo lugar, mas não menos importante, os docentes de História do ensino básico e mesmo do secundário, passam a vida a fazer catarse, mas, no terreno, continuam a perpetuar a História cronológica, objetica, meramente factológica. Continua-se a premiar a memorização e o simples despejanço de acontecimentos. A ligação ao presente faz-se por modismos e não sistematicamente. Se vivemos uma época de crise capitalista, lá nos lembramos da crise de 1929, mas não usamos sistematicamente a História como meio de o aluno entender o presente. Criticamos as falhas dos manuais, mas continuamos a basearmo-nos neles acriticamente, sem qualquer esforço de atualização. A investigação passa-nos ao lado, com a boa desculpa de que ganhamos pouco e alguém tem que nos dar formação. No fundo, fazemos como os alunos e dizemos: a culpa não é minha! Continuamos a dizer que houve um Ultimato em 1890, que a Constituição de 1911 foi a 1ª a dividir os poderes, que fomos pioneiros na abolição da pena de morte e outras linearidades!
Depois, por interesse corporativo, mais concretamente para não perdermos alunos, continuamos a ceder ao facilitismo e não exigimos uma seleção à saída do 9º ano, pois há uns anos a esta parte, as turmas de Humanidades são o depósito dos alunos que nunca leram um livro e não dominam a língua materna. Conformamo-nos com esta situação, cheios de medo de ficarmos sem horas, em vez de contribuirmos para a subida de qualidade.
Mas, para mim, o passo mais urgente a dar seria: em vez de perdermos tempo com ações de formação inúteis, para dentro, ou seja, dirigidas a quem já sabe que a História é uma ciência e que ser ciência hoje já não é procurar a subjetiva objetividade, devíamos atacar para fora. Devíamos tomar a liderança e fazer formação dirigida aos colegas daquelas áreas que teimam em viver o conceito pré-einsteiniano de ciência e explicar-lhes que hoje a ciência procura a multiperspetiva, a explicação no sentido plural e interdisciplinar. Enquanto ficarmos a cantar o fado de que a História procura a visão multiperspetiva, os outros acharão e farão os alunos, os pais dos alunos, os explicadores dos alunos… achar que é a História que é diferente. Claro que cada ciência tem a sua especificidade, mas ai da ciência que não tiver dimensão histórica! Só quando todos afinarmos pela mesma bitola de um novo conceito de ciência, é que todas as ciências encontrarão condições de se sentirem em pé de igualdade. Portanto, deixemos de dizer que a História é isto ou aquilo e digamos que ser ciência hoje é saber que nunca se fará o traço por baixo da soma e assim, sentindo-nos todos no mesmo barco, talvez alguém repare na História, não como a ciência das perspetivas várias, mas como uma delas, logo, não menor, pois nenhuma é objetiva e nem seria desejável que o fosse. Somos sujeitos, logo, subjetivos. E a ciência não existe independentemente do cientista. É o cientista, logo, o sujeito que faz a ciência; qualquer ciência, não só a História.
Plutão não deixou objetivamente de ser planeta! Os cientistas é que ajustaram o conceito!...
Sim, a História é importante e nem vale a pena dizer porquê…
Mas então, quais as razões que estão a impedir que, em Portugal, um dos países com mais História, esta verdade seja evidente e se imponha por si?
Primeiro, as razões internas e ligadas ao modo como os nossos historiadores funcionam. Vivem ainda nas suas torres de cristal, cada qual no seu feudo e, pior, ignorando tudo o que venha do feudo vizinho. A ética do investigador ainda funciona muito mal: cita-se quem nos cita e/ou quem pertence ao escol mediático. Não se enfrenta o senso comum e preferimos dizer que somos politólogos, pois se dissermos que somos historiadores podemos afastar público. Só divulgamos iniciativas e obras de instituições e investigadores já com nome na praça. Não convidamos quem é especialista numa área, mas quem pertence ao nosso círculo. Plagiamos descaradamente aqueles que sabemos não terem meios de nos denunciar judicialmente, etc., etc….
Em segundo lugar, mas não menos importante, os docentes de História do ensino básico e mesmo do secundário, passam a vida a fazer catarse, mas, no terreno, continuam a perpetuar a História cronológica, objetica, meramente factológica. Continua-se a premiar a memorização e o simples despejanço de acontecimentos. A ligação ao presente faz-se por modismos e não sistematicamente. Se vivemos uma época de crise capitalista, lá nos lembramos da crise de 1929, mas não usamos sistematicamente a História como meio de o aluno entender o presente. Criticamos as falhas dos manuais, mas continuamos a basearmo-nos neles acriticamente, sem qualquer esforço de atualização. A investigação passa-nos ao lado, com a boa desculpa de que ganhamos pouco e alguém tem que nos dar formação. No fundo, fazemos como os alunos e dizemos: a culpa não é minha! Continuamos a dizer que houve um Ultimato em 1890, que a Constituição de 1911 foi a 1ª a dividir os poderes, que fomos pioneiros na abolição da pena de morte e outras linearidades!
Depois, por interesse corporativo, mais concretamente para não perdermos alunos, continuamos a ceder ao facilitismo e não exigimos uma seleção à saída do 9º ano, pois há uns anos a esta parte, as turmas de Humanidades são o depósito dos alunos que nunca leram um livro e não dominam a língua materna. Conformamo-nos com esta situação, cheios de medo de ficarmos sem horas, em vez de contribuirmos para a subida de qualidade.
Mas, para mim, o passo mais urgente a dar seria: em vez de perdermos tempo com ações de formação inúteis, para dentro, ou seja, dirigidas a quem já sabe que a História é uma ciência e que ser ciência hoje já não é procurar a subjetiva objetividade, devíamos atacar para fora. Devíamos tomar a liderança e fazer formação dirigida aos colegas daquelas áreas que teimam em viver o conceito pré-einsteiniano de ciência e explicar-lhes que hoje a ciência procura a multiperspetiva, a explicação no sentido plural e interdisciplinar. Enquanto ficarmos a cantar o fado de que a História procura a visão multiperspetiva, os outros acharão e farão os alunos, os pais dos alunos, os explicadores dos alunos… achar que é a História que é diferente. Claro que cada ciência tem a sua especificidade, mas ai da ciência que não tiver dimensão histórica! Só quando todos afinarmos pela mesma bitola de um novo conceito de ciência, é que todas as ciências encontrarão condições de se sentirem em pé de igualdade. Portanto, deixemos de dizer que a História é isto ou aquilo e digamos que ser ciência hoje é saber que nunca se fará o traço por baixo da soma e assim, sentindo-nos todos no mesmo barco, talvez alguém repare na História, não como a ciência das perspetivas várias, mas como uma delas, logo, não menor, pois nenhuma é objetiva e nem seria desejável que o fosse. Somos sujeitos, logo, subjetivos. E a ciência não existe independentemente do cientista. É o cientista, logo, o sujeito que faz a ciência; qualquer ciência, não só a História.
Plutão não deixou objetivamente de ser planeta! Os cientistas é que ajustaram o conceito!...
sexta-feira, 11 de março de 2011
Parabéns aos alunos envolvido no Parlamento dos Jovens
Parabéns a todos os alunos que se envolveram no Projecto Parlamento dos Jovens, mas muito especialmente aos que vão representar a nossa escola (Secundária de Palmela) e o nosso distrito (Setúbal):
A Carolina Mateus e a Ana Sofia Teixeira serão as nossas Deputadas na Sessão Nacional que decorrerá nos dias 30 e 31 de Maio de 2011, na Assembleia da República; A Marisa Cidade e a Filomena Peixeiro irão apresentar o trabalho do Euroscola, intitulado «A Educação na Europa - Que Oportunidades?».
Força e coragem, pois não é para qualquer um!
A Carolina Mateus e a Ana Sofia Teixeira serão as nossas Deputadas na Sessão Nacional que decorrerá nos dias 30 e 31 de Maio de 2011, na Assembleia da República; A Marisa Cidade e a Filomena Peixeiro irão apresentar o trabalho do Euroscola, intitulado «A Educação na Europa - Que Oportunidades?».
Força e coragem, pois não é para qualquer um!
sexta-feira, 26 de novembro de 2010
Frases sobre a Educação
No âmbito da coordenação do Projeto «Parlamento dos Jovens, Secundário», cujo tema é, este ano, «Educação, Que Futuro?», selecionei várias afirmações de especialistas, para facilitar o debate entre os alunos da minha escola e espicaçar o aparecimento de listas. Partilho aqui a minha mini-antologia:
JORNAL DE LETRAS, 17 a 30 de Novembro de 2010
Ana Maria Bettencourt:
«Não nos esqueçamos que a missão da escola pública é ensinar a todos. O que é uma boa escola? A que tem bons alunos ou a que consegue integrar e ensinar a todos da melhor maneira?»
Guilherme d’Oliveira Martins:
«Não há política educativa de curto prazo. É indispensável a formação de consensos duráveis e sérios, quanto a objetivos estratégicos e duráveis e quanto a uma avaliação exigente e rigorosa … a educação para todos tem de se ligar ao combate à mediocridade e ao reconhecimento da qualidade e das diferenças … importa contrariar a ideia de que a educação apenas cabe à escola … Aos educadores profissionais que são os professores temos de ligar os educadores naturais que estão nas famílias»
António Teodoro
«A expansão do acesso à educação, no caso português, coexiste com práticas antigas de organização escolar, assentes sobretudo na reprovação como meio de superação dos atrasos na aprendizagem, que tornam os percursos dos nossos jovens fortemente dependentes do estatuto sócio-económico das famílias»
Maria de Lurdes Rodrigues
«O debate sobre as questões da educação, vezes de mais, é baseado exclusivamente em impressões pessoais e preconceitos ideológicos e sociais, as chamadas ideias feitas, e em argumentação afetiva, dispensando-se a prova dos fatos e os argumentos lógicos e racionais»
FRASES RETIRADAS DA OBRA
A EDUCAÇÃO E O FUTURO
(Debate promovido pelo Presidente da República, Jorge Sampaio, durante a Semana da Educação 1998)
Rui Canário
«Os discursos sobre a educação apresentam-se estruturados por certezas e soluções. É importante que nos desloquemos desse terreno, para o das questões e dos problemas»
Eduarda Dionísio
«É difícil colocar a questão da Educação que tende a ser substituída pela do Ensino que prepara para a vida e que toma abusivamente o seu nome … o trabalho e o saber escolares, especialmente reprodutores, centram-se em aprendizagens formais e aplicam-se sobretudo a descrever, através de nomes e números, realidades parcelares cujo sentido é um pormenor»
Armando Tiago de Abreu
«A nova sociedade global não dispensa, como a antiga, a respectiva aprendizagem. É nesse enlace entre o global e o local que existe um conjunto de novas missões para o sistema educativo, missões tecnológicas, de linguagem, mas também éticas e comportamentais que constituirão a norma e a forma de estar na sociedade do futuro»
Clara Barros Queiroz
«Quando falo de tecnologismo (parente bastante próximo do cientismo) refiro-me à crença na tecnologia dos mais variados tipos como meio de solução para os mais variados e complexos problemas. Vou mais longe e diria que a tecnologia, quando encarada de uma forma acrítica, deificada, pode não só deixar graves problemas por resolver, mas criar outros … gostaria que dos ensinos básico e secundário saíssem jovens que, para além de saberem ler, escrever e contar, tivessem adquirido a prática de pensar. Numa palavra, que tivessem adquirido uma tecnologia que os ajudasse a participar na subversão do sistema»
Sérgio Niza
«Algumas actividades, designadas por projectos, hoje correntes nas escolas, correspondem normalmente a resposta às ofertas municipais, uma espécie de assédio, uma forma consumista de utilizar os meios disponíveis, um esbanjamento de meios traduzido num reforço de formas primitivas e atomistas de pensar … É urgente que se multipliquem os ensaios de concepção e de acção ecossistémica na educação para que as formas anquilosadas de pensar o presente e o futuro da educação não continuem a prevalecer»
Roberto Carneiro
«A inteligência comunicacional, as inteligências do coração – a inteligência afectiva e a inteligência emocional – a inteligência estética, a inteligência moral, ou a capacidade de discernimento, reclamam novos equilíbrios na educação e diferentes gestões do que é verdadeiramente importante numa escola … O conhecimento total não é necessariamente o conhecimento codificado; bem pelo contrário, ele é continuamente produzido, transmitido e partilhado essencialmente numa dimensão subjectiva … O conhecimento mais importante não é algo que esteja num livro, num currículo. A função essencial de um professor não é a de administrar conhecimento objectivo e enfiá-lo dentro da cabeça de uma criança ou de um jovem»
Guilherme D’Oliveira Martins
«A educação vê-se perante uma situação dilemática – a de ter de compatibilizar a democratização e o direito de todos à educação com a qualidade, o rigor e a exigência … terá de ser sempre orientada para a cidadania … contra a tirania da uniformização … evitando a tentação de privilegiar os aspectos formais de avaliação em detrimento da eficácia educativa»
Diana Andriga
«Devemos combater o discurso empresarial que acusa a escola de ser demasiado teórica, o que já contagiou professores e estudantes; há duas vertentes nesse discurso: uma, positiva, que entende a prática como coisa indispensável, mas sem dispensar a teoria; outra, que entende as escolas como aviários de futuros trabalhadores, tecnicamente muito preparados, mas menos bem preparados intelectualmente»
António Ravara
«A reforma que urge nas escolas não é curricular, é de valorização da formação de valores … a avaliação orientada para a prova escrita não privilegia a vontade de compreender e fazer percursos pessoais … A docência é incompatível com a acomodação, o funcionalismo ou a incompetência»
Emília Nadal
«A prática de expressões artísticas, das tecologias e do desporto – quando existem nas escolas – são entendidas como componentes lúdicas e como terapias harmonizadoras para adolescentes e escolas com problemas de integração e violência. Só muito raramente aquelas disciplinas são percepcionadas como actividades reflexivas e como linguagens específicas que integram a racionalidade e a sensibilidade, que estimulam a imaginação e as potencialidades criativas, ao mesmo tempo que facultam a cada aluno a descoberta de si mesmo e da sua expressão individual»
Maria Odete Valente
«É no levar os alunos a aprender a pensar por si e com os outros, que me parece situar-se a função primeira da escola, da qual não podemos prescindir, mesmo quando lhe acrescentamos outras missões … os processos de inovação educativa ou são bem enraizados e sustentados no terreno ou estiolam e nada acrescentam, consumindo, porém, muita energia e recursos … uma intervenção pontual e não regulada, não passa de acontecimento passageiro, perde-se, não deixa raízes estruturantes e a mais ou menos curto prazo fica à deriva, esgota-se e inutiliza-se a si próprio»
«O ensino secundário transformou-se numa louca corrida dirigida exclusivamente para os exames de acesso ao ensino superior, onde deixa de haver tempo e lugar para a formação global do jovem, para a sua formação pessoal e para a participação na vida social. A competitividade passou a ser a regra e tudo o que se traduza em menos concentração de tempo na preparação das provas específicas de acesso é reduzido ao mínimo possível. E neste jogo entram pais, alunos e professores … perante exames de qualidade duvidosa, peça menor para avaliar a capacidade de um aluno concluir uma licenciatura e vir a ser um excelente profissional»
JORNAL DE LETRAS, 17 a 30 de Novembro de 2010
Ana Maria Bettencourt:
«Não nos esqueçamos que a missão da escola pública é ensinar a todos. O que é uma boa escola? A que tem bons alunos ou a que consegue integrar e ensinar a todos da melhor maneira?»
Guilherme d’Oliveira Martins:
«Não há política educativa de curto prazo. É indispensável a formação de consensos duráveis e sérios, quanto a objetivos estratégicos e duráveis e quanto a uma avaliação exigente e rigorosa … a educação para todos tem de se ligar ao combate à mediocridade e ao reconhecimento da qualidade e das diferenças … importa contrariar a ideia de que a educação apenas cabe à escola … Aos educadores profissionais que são os professores temos de ligar os educadores naturais que estão nas famílias»
António Teodoro
«A expansão do acesso à educação, no caso português, coexiste com práticas antigas de organização escolar, assentes sobretudo na reprovação como meio de superação dos atrasos na aprendizagem, que tornam os percursos dos nossos jovens fortemente dependentes do estatuto sócio-económico das famílias»
Maria de Lurdes Rodrigues
«O debate sobre as questões da educação, vezes de mais, é baseado exclusivamente em impressões pessoais e preconceitos ideológicos e sociais, as chamadas ideias feitas, e em argumentação afetiva, dispensando-se a prova dos fatos e os argumentos lógicos e racionais»
FRASES RETIRADAS DA OBRA
A EDUCAÇÃO E O FUTURO
(Debate promovido pelo Presidente da República, Jorge Sampaio, durante a Semana da Educação 1998)
Rui Canário
«Os discursos sobre a educação apresentam-se estruturados por certezas e soluções. É importante que nos desloquemos desse terreno, para o das questões e dos problemas»
Eduarda Dionísio
«É difícil colocar a questão da Educação que tende a ser substituída pela do Ensino que prepara para a vida e que toma abusivamente o seu nome … o trabalho e o saber escolares, especialmente reprodutores, centram-se em aprendizagens formais e aplicam-se sobretudo a descrever, através de nomes e números, realidades parcelares cujo sentido é um pormenor»
Armando Tiago de Abreu
«A nova sociedade global não dispensa, como a antiga, a respectiva aprendizagem. É nesse enlace entre o global e o local que existe um conjunto de novas missões para o sistema educativo, missões tecnológicas, de linguagem, mas também éticas e comportamentais que constituirão a norma e a forma de estar na sociedade do futuro»
Clara Barros Queiroz
«Quando falo de tecnologismo (parente bastante próximo do cientismo) refiro-me à crença na tecnologia dos mais variados tipos como meio de solução para os mais variados e complexos problemas. Vou mais longe e diria que a tecnologia, quando encarada de uma forma acrítica, deificada, pode não só deixar graves problemas por resolver, mas criar outros … gostaria que dos ensinos básico e secundário saíssem jovens que, para além de saberem ler, escrever e contar, tivessem adquirido a prática de pensar. Numa palavra, que tivessem adquirido uma tecnologia que os ajudasse a participar na subversão do sistema»
Sérgio Niza
«Algumas actividades, designadas por projectos, hoje correntes nas escolas, correspondem normalmente a resposta às ofertas municipais, uma espécie de assédio, uma forma consumista de utilizar os meios disponíveis, um esbanjamento de meios traduzido num reforço de formas primitivas e atomistas de pensar … É urgente que se multipliquem os ensaios de concepção e de acção ecossistémica na educação para que as formas anquilosadas de pensar o presente e o futuro da educação não continuem a prevalecer»
Roberto Carneiro
«A inteligência comunicacional, as inteligências do coração – a inteligência afectiva e a inteligência emocional – a inteligência estética, a inteligência moral, ou a capacidade de discernimento, reclamam novos equilíbrios na educação e diferentes gestões do que é verdadeiramente importante numa escola … O conhecimento total não é necessariamente o conhecimento codificado; bem pelo contrário, ele é continuamente produzido, transmitido e partilhado essencialmente numa dimensão subjectiva … O conhecimento mais importante não é algo que esteja num livro, num currículo. A função essencial de um professor não é a de administrar conhecimento objectivo e enfiá-lo dentro da cabeça de uma criança ou de um jovem»
Guilherme D’Oliveira Martins
«A educação vê-se perante uma situação dilemática – a de ter de compatibilizar a democratização e o direito de todos à educação com a qualidade, o rigor e a exigência … terá de ser sempre orientada para a cidadania … contra a tirania da uniformização … evitando a tentação de privilegiar os aspectos formais de avaliação em detrimento da eficácia educativa»
Diana Andriga
«Devemos combater o discurso empresarial que acusa a escola de ser demasiado teórica, o que já contagiou professores e estudantes; há duas vertentes nesse discurso: uma, positiva, que entende a prática como coisa indispensável, mas sem dispensar a teoria; outra, que entende as escolas como aviários de futuros trabalhadores, tecnicamente muito preparados, mas menos bem preparados intelectualmente»
António Ravara
«A reforma que urge nas escolas não é curricular, é de valorização da formação de valores … a avaliação orientada para a prova escrita não privilegia a vontade de compreender e fazer percursos pessoais … A docência é incompatível com a acomodação, o funcionalismo ou a incompetência»
Emília Nadal
«A prática de expressões artísticas, das tecologias e do desporto – quando existem nas escolas – são entendidas como componentes lúdicas e como terapias harmonizadoras para adolescentes e escolas com problemas de integração e violência. Só muito raramente aquelas disciplinas são percepcionadas como actividades reflexivas e como linguagens específicas que integram a racionalidade e a sensibilidade, que estimulam a imaginação e as potencialidades criativas, ao mesmo tempo que facultam a cada aluno a descoberta de si mesmo e da sua expressão individual»
Maria Odete Valente
«É no levar os alunos a aprender a pensar por si e com os outros, que me parece situar-se a função primeira da escola, da qual não podemos prescindir, mesmo quando lhe acrescentamos outras missões … os processos de inovação educativa ou são bem enraizados e sustentados no terreno ou estiolam e nada acrescentam, consumindo, porém, muita energia e recursos … uma intervenção pontual e não regulada, não passa de acontecimento passageiro, perde-se, não deixa raízes estruturantes e a mais ou menos curto prazo fica à deriva, esgota-se e inutiliza-se a si próprio»
«O ensino secundário transformou-se numa louca corrida dirigida exclusivamente para os exames de acesso ao ensino superior, onde deixa de haver tempo e lugar para a formação global do jovem, para a sua formação pessoal e para a participação na vida social. A competitividade passou a ser a regra e tudo o que se traduza em menos concentração de tempo na preparação das provas específicas de acesso é reduzido ao mínimo possível. E neste jogo entram pais, alunos e professores … perante exames de qualidade duvidosa, peça menor para avaliar a capacidade de um aluno concluir uma licenciatura e vir a ser um excelente profissional»
domingo, 3 de outubro de 2010
Educação Histórica
Cá estou eu a dar conta da minha participação na VII Conferência HEIRNET (History Educators International Research Network), a qual decorreu no Hunter College, na Cidade Universitária de Nova Iorque, entre 13 e 15 de Setembro.
A Educação Histórica foi abordada por participantes do Brasil, Canadá, Reino Unido, Nova Zelândia, EUA e Portugal, honrando dezenas de instituições, entre as quais, a Escola Secundária de Palmela, por mim representada.
Apresentei um Poster sobre o Programa Pestalozzi e defendi a colaboração entre a HEIRNET e este Projeto do Conselho da Europa, o que foi colhido com interesse e entusiasmo, já que, como demonstrei, têm objetivos complementares.
No âmbito dos trabalhos, realizou-se uma visita de estudo ao Groud Zero, precedida de uma excelente reflexão, liderada por Barbara Winslow, sobre o modo como os professores lidaram com as reações dos seus alunos no dia 11 de Setembro, há uma década, em Nova Iorque.
O encontro do próximo ano está agendado para os dias 18, 19 e 20 de Julho, na Universidade do Minho, sob a coordenação da Professora Doutora Isabel Barca, especialista em Educação Histórica e precursora desta área de investigação no nosso país.
Para mais informações sobre a HEIRNET consultar www.heirnet.org
A Educação Histórica foi abordada por participantes do Brasil, Canadá, Reino Unido, Nova Zelândia, EUA e Portugal, honrando dezenas de instituições, entre as quais, a Escola Secundária de Palmela, por mim representada.
Apresentei um Poster sobre o Programa Pestalozzi e defendi a colaboração entre a HEIRNET e este Projeto do Conselho da Europa, o que foi colhido com interesse e entusiasmo, já que, como demonstrei, têm objetivos complementares.
No âmbito dos trabalhos, realizou-se uma visita de estudo ao Groud Zero, precedida de uma excelente reflexão, liderada por Barbara Winslow, sobre o modo como os professores lidaram com as reações dos seus alunos no dia 11 de Setembro, há uma década, em Nova Iorque.
O encontro do próximo ano está agendado para os dias 18, 19 e 20 de Julho, na Universidade do Minho, sob a coordenação da Professora Doutora Isabel Barca, especialista em Educação Histórica e precursora desta área de investigação no nosso país.
Para mais informações sobre a HEIRNET consultar www.heirnet.org
Subscrever:
Mensagens (Atom)
